O que é a Artrose da Anca?
A Artrose da Anca, ou Coxartrose, é uma doença degenerativa que afeta a cartilagem da articulação coxofemoral. Com o tempo, o desgaste da cartilagem leva a dor, rigidez e limitação dos movimentos.
Epidemiologia
A artrose da anca pode ter diversas causas, incluindo:
- Envelhecimento: o desgaste natural das articulações ao longo dos anos;
- Fatores genéticos: história familiar de artrose;
- Displasia do Desenvolvimento da Anca: alterações anatómicas congénitas (de nascença).
- Traumas e Fraturas: podem acelerar o desgaste articular
- Excesso de peso: aumenta a sobrecarga na articulação
- Atividades de alto impacto: práticas desportivas intensas ou trabalhos que exigem movimentos repetitivos.
Principais Sintomas
- Dor na região inguinal (virilha), lateral da anca ou na região glútea;
- Dor que piora com a atividade física e melhora com repouso;
- Rigidez e dificuldade em movimentar a anca e coxa;
- Claudicação (mancar) devido à limitação do movimento.
Como é feito o diagnóstico?
Exame Clínico
- Avaliação da marcha e da mobilidade articular;
- Palpação dolorosa e movimentos dolorosos;
Exames de Imagem
- Radiografias com diferentes incidências (imagem 1)

imagem 1: Radiografia da Bacia mostrando Artrose da Anca.
Tratamento
A Artrose da Anca é uma doença de evolução progressiva. As duas opções de tratamento são: Tratamento Conservador (medidas médicas que visam atrasar a evolução da doença) e Tratamento Cirúrgico
Tratamento Conservador
Antes de considerar a cirurgia, o tratamento conservador pode ajudar a aliviar os sintomas:
- Medicação: anti-inflamatórios e analgésicos para alívio da dor;
- Fisioterapia: exercícios para fortalecer os músculos e melhorar a mobilidade;
- Perda de peso: reduzir a carga sobre a articulação;
- Modificação de atividades: evitar movimentos que agravam os sintomas ou atividades físicas de grande carga para a articulação;
- Auxiliares de marcha: uso de bengalas ou andarilhos em casos mais graves;
Tratamento Cirúrgico
Se a dor e a limitação forem significativas, com grande impacto nas atividades normais de vida diária, a cirurgia pode ser indicada. As opções incluem:
- Artroplastia Total da Anca: substituição da articulação por uma prótese (Imagem 2);
- Osteotomias: realinhamento do fêmur ou acetábulo para melhorar a função articular. Esta modalidade está indicada para pacientes jovens com alterações anatómicas da anca.

imagem 2: Radigrafia da Bacia mostrando Astroplastia Total da Anca (Prótese de Anca).
Riscos da Cirúrgia
Como qualquer procedimento, a cirurgia apresenta riscos para o doente:
- Tromboembolismo Venoso (formação de coágulos nas veias que podem migrar para o pulmão);
- Infeção da prótese (pode implicar remover a prótese e um longo internamento no hospital);
- Luxação da prótese (a prótese sair da sua posição);
- Diferença de comprimento dos membros.
Cuidados Pós-operatórios
A recuperação é essencial para o sucesso da cirurgia:
- Uso de auxiliares de marcha nas primeiras semanas (habitualmente nas primeiras 6 semanas);
- Reforço muscular e treino de marcha com fisioterapia.
Perguntas Frequentes
Quando posso voltar a caminhar?
Normalmente, com auxiliares de marcha, no dia seguinte à cirurgia inicia-se o levante com treino de marcha. Dependendo da técnica usado pelo seu médico, poderá caminhar com ou sem apoio do membro operado no chão.
Quanto tempo dura a recuperação?
A recuperação total da cirurgia habitualmente demora em torno de 3 a 6 meses.
Posso fazer desporto depois da prótese?
Sim, mas recomenda-se desportos de baixo impacto (ex.: natação, ciclismo).
Quando posso voltar a conduzir?
O tempo é um pouco variado, mas habitualmente após as 6 semanas da cirurgia e após largar os auxiliares de marcha.