O que são as Fraturas proximais do Fémur?
As Fraturas Proximais do Fémur, também vulgarmente conhecidas por Fraturas do Colo do Fémur, são fraturas que envolvem a região do fêmur mais próxima da articulação da anca. Estas fraturas podem afetar o colo femoral, a cabeça do fémur ou a região intertrocantérica (região do fémur onde se inserem músculos e ligamentos). São lesões comuns, principalmente em idosos com osteoporose, mas também podem ocorrer em adultos mais jovens devido a traumas de alta energia (ex. acidentes de viação).
Epidemiologia
As causas das Fraturas do Fémur Proximal são:
- Quedas: Especialmente em idosos, devido à fragilidade óssea causada por:
- Osteoporose: Reduz a densidade óssea, aumentando o risco de fraturas mesmo com traumas menores.
- Doenças Metabólicas: Que comprometem a qualidade do osso.
- Traumas de Alta Energia: Acidentes de viação ou quedas de altura, comuns em adultos jovens.
Principais Sintomas
- Dor intensa na região da anca ou coxa.
- Imobilidade e incapacidade para sustentar o peso.
- Deformidade e encurtamento do membro afetado
- Edema (Inchaço) e hematomas ao redor da área da fratura.
Como é feito o diagnóstico?
Exame Clínico
- Avaliação da dor e/ou deformidade;
- Incapacidade para movimentar o membro;
Exames de Imagem
- Radiografias da Bacia e do Fémur (imagem 1 e 2)

imagem 1: Radiografia da Bacia mostrando Fratura Intertrocantérica.

imagem 2: Radiografia da Bacia mostrando Fratura Subcapital do Fémur (Colo do Fémur).
Tratamento
Tendo em conta a incapacidade que estas fraturas provocam, a indicação é tratar todas estas fraturas com recurso a cirurgias
Tratamento Conservador
- Indicado apenas em pacientes com alto risco cirúrgico, onde o risco da cirurgia não compensa os benefícios que a mesma oferece ao paciente (casos muito excecionais)
- Este tratamento consiste em controlo da dor e prevenção de complicações como trombose através de medicamentos, aliado a fisioterapia para manter a mobilidade e fortalecer a musculatura
Tratamento Cirúrgico
Este tratamento vai depender do tipo de fratura (colo do fémur, intertrocantérica), mas as opções incluem:
- Fixação Interna: Opção de tratamento para as fraturas intertrocantéticas, utilizando parafusos intramedulares (cavilhas) ou placas e parafusos para alinhar e estabilizar a fratura. O tratamento mais habitual é o uso de cavilhas (Imagem 3);
- Artroplastia (Próteses): Opção de tratamento para as fraturas do colo do fémur, podendo ser indicada a substituição parcial (só o fémur) ou total (fémur e bacia) da articulação da anca (Imagem 4).

imagem 3: Radiografia da Anca mostrando Tratamento Cirúrgico de Fratura Intertrocantérica do Fémur com Parafuso Intramedular (Cavilha).

imagem 4: Radiografia da Bacia mostrando Tratamento Cirúrgico de Fratura Subcapital do Fémur com Artroplastia Total de Anca (Prótese de Anca).
Riscos da Cirúrgia
Como qualquer procedimento, a cirurgia apresenta riscos para o doente:
- Infeções: nos casos graves pode implicar remover os implantes e um longo período de internamento no hospital.
- Trombose Venosa Profunda (formação de coágulos): Estes podem migrar para o pulmão, dando origem a Embolias Pulmonares.
- Pseudoartrose: Falha na consolidação da fratura
- Problemas na Prótese (quando indicada astroplastia): Desgaste precoce, luxação ou necessidade de revisão cirúrgica.
Cuidados Pós-operatórios
A reabilitação é crucial para a recuperação funcional do doente, quase tão importante como a cirurgia:
- Fase Inicial (0-6 semanas): Controle da dor e do edema (inchaço), exercícios de reforço muscular e treino de marcha com uso de dispositivos de apoio para a marcha (canadianas ou andarilho).
- Fase Intermédia (6-12 semanas): Aumento gradual da independência do paciente, com desmame progressivo dos auxiliares de marcha.
- Fase Avançada (depois das 12 semanas): Retorno progressivo às atividades diárias, com destaque na prevenção de quedas.
Tendo em conta que a maioria destas fraturas acomete os idosos, um bom suporte familiar é indispensável na sua recuperação, dado o grau de dependência de terceiros que estes pacientes apresentam nas primeiras semanas.
Perguntas Frequentes
Quanto tempo dura a recuperação?
A recuperação varia de 3 a 6 meses, dependendo da idade, tipo de fratura e tratamento realizado.
Quando posso voltar a caminhar?
Normalmente, com auxiliares de marcha, no dia seguinte à cirurgia inicia-se o levante com treino de marcha. Dependendo da técnica usado pelo seu médico, poderá caminhar com ou sem apoio do membro operado no chão.
Quando posso voltar a conduzir?
O tempo é um pouco variado, mas habitualmente após as 6 semanas da cirurgia e após largar os auxiliares de marcha.
Dicas Importantes
- Siga rigorosamente as orientações do seu médico e fisioterapeuta.
- Adote medidas para prevenir quedas, especialmente se for idoso, tais como retirar os tapetes de casa, uso de tapete antiderrapante na banheira e uso de calçado adequado.
- Mantenha uma dieta rica em nutrientes essenciais para a saúde óssea (cálcio, vitamina D).
- Em caso de dor intensa, edema (inchaço) excessivo, alterações na ferida cirúrgica (saída de pús, vermelhão, aumento de temperatura local) ou dificuldade de movimentação de novo, procure o serviço de urgência mais perto de si.